D. Manuel Clemente anunciado como patriarca de Lisboa

gd_imagerO anúncio oficial chegou este sábado. Na despedida, o até aqui bispo do Porto prometeu rezar pelos fiéis, comunidades e famílias da sua diocese. Assume as novas funções a 7 de Julho.

D. Manuel Clemente, actual bispo do Porto, foi nomeado este sábado patriarca de Lisboa pelo Papa Francisco. O anúncio oficial foi feito através da Nunciatura Apostólica numa nota enviada à agência Ecclesia. Numa declaração de despedida à diocese do Porto, D. Manuel Clemente deixa a certeza de que “o coração não tem distância, só profundidade acrescida”. A entrada no Patriarcado de Lisboa acontece a 7 de Julho.

A Nunciatura Apostólica relembra que a resignação “por limite de idade” do cardeal e patriarca emérito, D. José Policarpo, apresentada em 2011, já tinha sido aceite por Bento XVI, decisão agora confirmada pelo Papa Francisco.

D. Manuel Clemente assume assim o mais destacado cargo da Igreja Católica em Portugal, ocupando o lugar de José Policarpo, que era cardeal-patriarca desde 1998.

Ainda de acordo com a agência Ecclesia, a tomada de posse do novo patriarca está marcada para 7 de Julho, data a partir da qual a Santa Sé deve providenciar uma solução provisória para o cargo de bispo do Porto até que seja determinado o sucessor de D. Manuel Clemente.

Na declaração de despedida à diocesse do Porto, D. Manuel Clemente diz adeus como “amigo e irmão” e deixa a certeza de que “o coração não tem distância, só profundidade acrescida”. “É por tudo isto que vos quero reiterar uma palavra de agradecimento e bons votos. Agradecimento, que traduzirei em oração por todos e cada um de vós, as vossas comunidades e famílias”.

Este sábado, numa mensagem divulgada pela Diocese do Porto, os bispos auxiliares, vigários gerais e chanceler agradecem a Manuel Clemente, sustentando que com a nomeação papal “a igreja de Lisboa recupera assim para o seu direto trabalho pastoral um dos seus filhos mais insignes”, enquanto a Igreja do Porto vê partir um dos seus bispos mais notáveis”.

Este domingo, Manuel Clemente presidirá à eucaristia na Igreja Catedral do Porto.

O seu antecessor, D. José Policarpo diz que a indicação de D. Manuel Clemente como patriarca de Lisboa é “uma notícia esperada”. “Foi uma escolha que devemos agradecer vivamente a quem a fez”, declarou José Policarpo ao jornal do Patriarcado de Lisboa, Voz da Verdade. “É um dom de Deus ter um bispo que regressa a casa”, afirmou o ainda patriarca.

Numa mensagem deixada este sábado no site da Presidência da República, Cavaco Silva felicita S. Manuel Clemente “por essa prova de distinção e apreço de Sua Santidade o Papa Francisco”.

A escolha do bispo do Porto para o Patriarcado de Lisboa representa para o Presidente da República “o reconhecimento do percurso do servidor da Igreja e do académico ilustre, do homem de cultura e do cidadão exemplar”. “A sociedade portuguesa, que tão bem conhece, recorda as suas intervenções lúcidas, moderadas, bem como o profundo sentido social e humanista da sua acção, atributos tão relevantes no momento de grande exigência que o país atravessa”, acrescenta a mensagem de Cavaco Silva.

Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros, num comunicado, diz que recebe a nomeação com “o caloroso entusiasmo que merece a personalidade do actual Bispo do Porto”. “D. Manuel Clemente é reconhecidamente um homem de fé, cultura e sensibilidade social. Profundo conhecedor da história da Igreja portuguesa é, simultaneamente, um inspirado intérprete do tempo presente”, lê-se na nota do ministério de Paulo Portas, onde se agradece e reconhece também a “permanente disponibilidade” do cessante D. José Policarpo.

A Câmara do Porto classifica Manuel Clemente como “um referencial e exemplo de sã convivência entre todas as sensibilidades ideológicas, culturais e religiosas”. Em comunicado, a autarquia presidida por Rui Rio “associa-se às manifestações de regozijo e de congratulações ao prelado”, que coloca “todo o seu saber e intervenção pública ao serviço de uma sociedade mais justa e solidária”. A nomeação do bispo para patriarca de Lisboa “honra e engrandece a cidade do Porto”.

Bispo, Prémio Pessoa, autor…
D. Manuel Clemente, que completa 65 anos em Julho, nasceu no concelho de Torres Vedras e regressará assim a Lisboa, onde foi bispo auxiliar.

Considerado um dos profundos pensadores do país na actualdade (recebeu o Prémio Pessoa em 2009), o bispo do Porto há muito que era dado como o mais provável sucessor de D. José Policarpo, que pediu para abandonar funções em 2011 por ter completado 75 anos.

D. Manuel Clemente, que foi nomeado bispo do Porto em Fevereiro de 2007, é licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa e em Teologia pela Universidade Católica. Doutorou-se em Teologia Histórica em 1992. É também autor de vários livros, como A Igreja no Tempo, História Breve da Igreja Católica, e de vários textos sobre o catolicismo em Portugal a partir do liberalismo.

Ingressou no Seminário Maior dos Olivais em 1973, tendo sido ordenado presbítero seis anos depois. Segundo uma nota biográfica da Agência Ecclesia, foi Coadjutor das paróquias de Torres Vedras e Runa, formador e Reitor do Seminário dos Olivais e, desde 1997, membro do Cabido da Sé de Lisboa. Nomeado Bispo Auxiliar de Lisboa e titular Pinhel, em 6 de Novembro de 1999, foi ordenado na Igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos) no dia 22 de Janeiro de 2000.

Em entrevista ao PÚBLICO, em Dezembro de 2011, declarou-se um optimista”: “Eu acredito no género humano, e no género humano português muito em particular”, disse então.

Já com Portugal mergulhado numa profunda crise económico, D. Manuel Clemente mostrou-se também preocupado com os efeitos na sociedade portuguesa e centrou o seu discurso na “sobrevivência digna das pessoas”: “É preciso que tenham trabalho, não apenas por uma questão económica imediata, mas porque o desenvolvimento verdadeiro de cada um só se faz mediante o trabalho, e que lhes dêem condições para que possam ter filhos e educá-los. É preciso fortalecer as famílias. Enfrentamos o problema terrível de uma sociedade que não se reproduz. E é preciso restabelecer as redes de vizinhança, para que as pessoas não vivam no anonimato.”

Fonte Público

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