Dia Mundial da Paz: «Fraternidade» exige fim da corrupção, da exclusão e da perseguição religiosa»

Guilherme d’ Oliveira Martins e Marcelo Rebelo de Sousa, analisam a mensagem do Papa para o dia 1 de janeiro de 2014

gd_imager (3)Lisboa, 30 dez 2013 (Ecclesia) – Guilherme d’ Oliveira Martins e Marcelo Rebelo de Sousa consideram que a mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz “obriga” à compreensão do outro, ao “combate” à exclusão e está escrita de forma muito “direta” e “concreta”.

“É uma mensagem que abrange diversos domínios porque põe a tónica na fraternidade. A fraternidade não é uma palavra abstrata, obriga a um sentido de compreensão dos outros, da diversidade, da globalização, da paz, do combate contra a corrupção, contra a exclusão”, revela Guilherme d’Oliveira Martins.

O presidente do Centro Nacional de Cultura considera que se deve dedicar uma leitura “muito atenta” à mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz porque é um texto “muito cuidado” e “bastante inovador”, uma vez que Francisco “procura aproximar-se das pessoas e dos problemas concretos”.

A noção concreta de fraternidade “exige uma responsabilização das pessoas, uma responsabilização dos povos”, acrescenta.

À Agência ECCLESIA o responsável explica o que considera serem os “domínios” de preocupação da mensagem: “O Papa é muito claro ao dizer que é indispensável percebermos que o agravamento das desigualdades tem-se feito à custa da especulação e da utilização indevida dos recursos”.

Da leitura da mensagem, Guilherme d’Oliveira Martins assinala também a preocupação com os “riscos graves” perante a “crise financeira e as suas repercussões”, com as “desigualdades” que se agravaram: “É uma acusação muito forte uma vez que o mercado, só por si, não encontrou solução para os problemas da economia global e tem uma consequência possível relativamente à paz”.

Para Marcelo Rebelo de Sousa a mensagem para o Dia Mundial da Paz distingue-se pela linguagem “muito direta” e pela “preocupação” do Papa Francisco em ser entendido por todos, “sem tirar nada de fundamental do conteúdo”: “Há o assumir que hoje comunicar é diferente do que era noutros tempos.”

“Há um estilo diferente, uma preocupação pela simplificação linguística, os parágrafos e os períodos são mais curtos, as ideias são mais concretas”, exemplifica.

Estes apelos “muitas vezes pungentes” à paz e ao trabalho pela paz a 1 de janeiro “é um dos princípios evangélicos fundamentais para os cristãos”.

O professor universitário assinala a necessidade da mensagem pela Paz, num tempo sem guerras regionais ou blocos opostos, pela “pulverização de conflitos que justificam um número sem precedente de refugiados, ações intensas, sociedades dizimadas” que continuam sem “uma solução à vista”, principalmente no Médio Oriente, na Ásia e África.

Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, existe um apelo “universal”, “global” que coincide, no tempo, “com a situação da Igreja Católica, ou mais genericamente as igrejas cristãs” estarem a sofrer “perseguições intensas nos últimos anos”.

“A Igreja Católica não quer pôr-se em bicos dos pés e fazer disto um caso mas não pode ignorar. Ao mesmo tempo que apela e se trabalha pela paz, tem a noção exata que existem muitos cristãos a ser objeto de uma perseguição fundamentalista”, acrescenta o comentador político sobre a mensagem “Fraternidade, fundamento e caminho para a paz”, do Papa Francisco, para 1 de janeiro de 2014.

PA/CB/PR

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