Francisco e Bento XVI: Dois papas num consistório para a História

1O consistório para a criação de 19 cardeais (cf. Artigos relacionados) que decorreu este sábado no Vaticano fica para a História como o que juntou dois homens de branco: o papa Francisco e o seu antecessor, o papa emérito Bento XVI.
A poucos dias de completar um ano da resignação ao pontificado (28 de fevereiro de 2013), Bento XVI foi convidado pelo papa Francisco a estar presente no seu primeiro consistório, designação conferida à reunião dos cardeais com o papa.
Bento XVI sentou-se na primeira fila, tendo sido saudado por Francisco quando este entrou na basílica de São Pedro. Diante do seu sucessor, Ratzinger levantou-se e tirou o solidéu.
«A Igreja precisa da vossa coragem, para anunciar o Evangelho em toda a ocasião oportuna e inoportuna, e para dar testemunho da verdade. A Igreja precisa da vossa oração», acentuou Francisco na homilia da missa, dirigindo-se aos cardeais.
No dia em que os católicos assinalam a festa litúrgica da Cadeira de S. Pedro, o papa vincou que a Igreja necessita da «compaixão» dos cardeais, sobretudo num período «de dor e sofrimento em tantos países do mundo».
«Queremos exprimir a nossa proximidade espiritual às comunidades eclesiais e a todos os cristãos que sofrem discriminações e perseguições. Devemos lutar contra toda a discriminação. A Igreja precisa da nossa oração por eles, para que sejam fortes na fé e saibam reagir ao mal com o bem. E esta nossa oração estende-se a cada homem e mulher que sofrem injustiça por causa das suas convicções religiosas», apontou.
Francisco lembrou que Jesus não veio «ensinar uma filosofia ou uma ideologia, mas um caminho», que se aprende «fazendo-a, caminhando», ainda que seja «fácil» nem «cómodo» porque se trata de uma estrada «da cruz», e advertiu: «Se prevalece a mentalidade do mundo, acontecem as rivalidades, as invejas, as fações».
Na homilia escutaram-se apelos à comunhão, para que os cardeais se tornem cada vez mais «um só coração e uma só alma» e sejam pessoas que façam «a paz» com as suas «obras», «desejos» e «orações».
«Ser discípulo de Jesus é embarcar numa aventura de santidade e de amor, cuja medida é não ter medida e que pode exigir até o dom da vida, como sucedeu e sucede para tantos cristãos no mundo», afirmou o novo cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado do Vaticano, na mensagem que dirigiu a Francisco, durante a celebração, em nome dos novos membros do Colégio Cardinalício.
O rito da criação dos cardeais compreende a imposição aos novos purpurados do solidéu e do barrete cardinalício, por parte do papa, que de seguida lhes entrega o anel. Francisco confia a cada novo cardeal uma igreja de Roma como sinal de participação na solicitude pastoral do bispo de Roma na cidade.2
Após a entrega da bula de criação cardinalícia e do título ou da diaconia, Francisco deu o abraço da paz aos novos cardeais.

Rui Jorge Martins
© SNPC | 22.02.14

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