NOTA PASTORAL SOBRE A VISITA DA IMAGEM PEREGRINA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

DIOCESE DE COIMBRA

NOTA PASTORAL SOBRE A VISITA

DA IMAGEM PEREGRINA DE NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

Caríssimos cristãos da Diocese de Coimbra

Nossa Senhora ocupa um lugar muito especial na Igreja, nas comunidades cristãs, na nossa vida familiar e no nosso coração.

A Diocese de Coimbra é profundamente mariana e, desde as suas origens, sempre viveu a fé cristã sob a proteção da Mãe de Deus: dedicou a catedral a Santa Maria de Coimbra; elegeu a Imaculada Conceição como padroeira da Universidade; pôs sob a sua proteção igrejas e mosteiros; erigiu santuários, paróquias e capelas em todos os lugares; fizeram-se votos e promessas, cantaram-se louvores e hinos de gratidão.

Há uma grande história de culto mariano, devidamente enquadrado na tradição católica, que nos honra e nos compromete ainda hoje.

O centenário das aparições de Nossa Senhora de Fátima, que ocorre em 2017, dará à Igreja em Portugal e à nossa Diocese de Coimbra a oportunidade de avivar a matriz mariana do nosso modo de ser cristãos.

No último século, o acontecimento e a mensagem de Fátima trouxeram um novo calor a uma devoção tão longamente enraizada no povo português. Sobretudo estabeleceram uma ligação mais forte e mais visível ao centro da mensagem do Evangelho para o qual Nossa Senhora aponta incessantemente.

A visita da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima à Diocese de Coimbra, de 13 a 27 de setembro de 2015, constituirá um acontecimento mobilizador de toda a comunidade diocesana. Na sua passagem pelos dez arciprestados, de acordo com o programa estabelecido, ela encontrará multidões de fiéis a celebrar os mistérios da fé, sobretudo a Eucaristia e a Reconciliação,a adorar o Santíssimo Sacramento, a rezar o terço com amor, a caminhar em procissão de aclamação e louvor.

Como uma mãe de coração grande e aberto, ela convida todos os seus filhos a participar e a todos acolherá com amor para os conduzir à casa do Pai.

Esta peregrinação da Virgem de Fátima constitui um momento privilegiado para a evangelização da Diocese, de acordo com as linhas orientadoras do Plano Pastoral Diocesano. Para alguns será momento de encontro com Cristo por meio do primeiro anúncio; para outros ocasião de aprofundamento da fé pela catequese e pela liturgia; para todos, oportunidade de renovar o sentido de pertença à Igreja, este Povo de Deus que caminha unido à Santíssima Trindade, com Maria por imagem e modelo.

Enquanto Estrela da Evangelização, Nossa Senhora não deixará de tocar nos corações de homens e mulheres, crianças e jovens, para lhes mostrar o rosto misericordioso de Deus, atento aos sofrimentos de todos e disposto a elevar todos os que vivem sem alegria nem esperança. A piedade popular de caráter mariano, nas suas simples e genuínas manifestações de fé, tradição e cultura, se for devidamente evangelizada e centrada em Cristo, dará um imenso contributo para o acolhimento do Evangelho por parte de todos os que procuram a Deus pelos mais diversos caminhos.

Esperamos que esta peregrinação de Nossa Senhora pelos caminhos da nossa Diocese seja portadora de muitas graças e nos ajude na renovação da Igreja. Deixo a todos os cristãos da Diocese de Coimbra a indicação de alguns dos maiores desafios, que são, ao mesmo tempo graças a pedir por intercessão de Nossa Senhora de Fátima:

– a alegria de acolher o Evangelho por meio da liturgia, da lectio divina, da oração, da catequese, do estudo e da formação a fim de realizarmos a missão da Igreja, que consiste em evangelizar a todos;

– a alegria de pertencer a Cristo e ao Seu Corpo, que é a Igreja presente na Diocese, nas comunidades cristãs, nas paróquias, nas unidades pastorais, nos arciprestados, numa corresponsabilidade e comunhão que se acolhem e que se vivem com Deus e com os irmãos;

– a renovação do Sacramento da Reconciliação e do seu lugar na vida cristã, pois o reconhecimento do pecado pessoal e o acolhimento da misericórdia e do perdão de Deus são essenciais na caminhada da fé em ordem à santidade;

– a descoberta da oração familiar, nomeadamente da oração bíblica (lectio divina), e da oração mariana (o terço ou rosário), como meio de encontro quotidiano com Deus, de crescimento da féda Igreja doméstica e de fortalecimento do amor e da comunhão entre todos os membros da família;

– o cultivo de todas as vocações na Igreja, com especial relevo para as vocações sacerdotais, pelas quais nos vem a Eucaristia e o perdão dos pecados, e que são um dom das famílias à Igreja e uma graça a acolher com gratidão.

Quando fui ordenado bispo, a 3 de julho de 2011, no Santuário de Fátima, consagrei a Nossa Senhora a totalidade da minha vida e o ministério episcopal que recebi para me dedicar ao serviço da Diocese de Coimbra. Aos beatos Francisco e Jacinta Marto pedi poderosa intercessão junto de Deus para que conduza o ministério que me foi confiado.

Já que recebi a graça e a missão de ser vosso pastor, convido-vos a partilhar o mesmo desejo de nos confiarmos como Igreja Diocesana de Coimbra à intercessão dos Beatos Pastorinhos e de nos consagrarmos totalmente a Maria.

Invoco sobre vós a abundância da bênção de Deus e a proteção materna de Nossa Senhora, na esperança de nos encontrarmos no mesmo louvor, a cantar o mesmo magnificat, por ocasião da passagem da sua Imagem Peregrina pelo meio de nós.

Coimbra, 13 de agosto de 2015

Virgílio do Nascimento Antunes

Bispo de Coimbra

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